amarelo verão March 6th, 2009

Era pra ser uma coisa, foi outra. Ficou temático, brega e sujo de graxa. Mas foi e taí.

17.abr.08 1:57am

Amarelo Verão

Te amo de solavanco…
Só pega no tranco
esse músculo sofrido,
que você tem espremido,
entre as mãos.

Num disparo afogado
você o tem acordado
cada vez que me vê,
que me enxerga à mercê,
do seu “sim”, do seu “não”.

Me dê um pouco dos seus óleos,
um pouco dos seus olhos,
uma piscada de farol, buzinadinha.
Me diga que você quer ser minha
no banco do meu carangão.

Agora vem cá e me ensina
como adulterar gasolina
pra te levar passear,
prum chopp à beira do mar,
amarelo verão.

Na volta se o motor enguiçar
pode deixar que só eu me sujo de graxa…
Você acha que não
mas eu sei…
Má, Marina você é má.

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bebida quente March 6th, 2009

10.set.08

você é como uma bebida quente
que queima a língua
numa rápida lambida

tão difícil resistir
e só lembra o perene gosto
não remetendo ao desgosto
de se deixar ferir

você é como um fruto fresco
encontrado a esmo
em infértil escampada

tão bem-vindo ao paladar
que faz-se esquecer da casca -
que pra degustar uma lasca -
é preciso penetrar

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meus dedos dizem sozinhos March 6th, 2009

27/10/2008

meus dedos dizem sozinhos
o que eu tento não escrever
eu môo as frases que crio
mas elas transbordam em rio
para chegar em você

só minhas razões não te dou
motivos de eu te querer
eu guardo, eu rasgo,
eu cuspo, eu engasgo
mas nunca eu te conto os porquês

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equívoco March 6th, 2009

13/10/2008

equívoco

se quero me afogar
é porque dói – sei aguentar
isso só, eu aguentaria, mas não é só isso
esse tipo interno de rebuliço

essas facadas que vêm
detrás de mim – olhos não tenho
mas eu sinto e ouço também
e sinto o peso do meu empenho

não desvia seus olhos de mim
fixa-os aqui e aqui os mantém
que eles são lindos assim
da forma que me convém

egoísmo é algo que desconheço
possessividade? petulância do que me pertence
eu não nego que exijo apreço
e não nego que desejo, continuamente

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uma palavra não tem volta March 6th, 2009

21/12/2008

uma palavra não tem volta
meia volta é quase uma inteira
quando uma cobra a língua solta
palavra é veneno, a esguichar traiçoeira

a língua da cobra tem trombose
quando fala da moça, do corpo de pêra:
inflado o ventre, é só verminose…
a cobra, de pronto, já chama a parteira

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i caught the queen July 14th, 2008

i caught the queen
14/07/2008 – 1pm

you were the old door that wouldn’t budge
the boulder that wouldn’t slide
the kite i couldn’t fly
but it was for the best

you were the wine i wouldn’t get a sip of
the cheese i wouldn’t get a bite of
the songs i couldn’t shuffle
but it was for the best

you were the first but not the last
and left a wound that wouldn’t heal fast
i was naïve, one of your pawns
but now i’m through with you

you were the first, i have no regrets
you had me whole, just under your tap
i was a thing, something you owned
but now i’m through with you

… i caught the queen!

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I’m not at ease with my heart June 8th, 2008

I

I’m not at ease with my heart
nor content with my brain
However possible could it be?
If I but sympathize
with their misery

II

Do I follow them?
Do I fail them?
If I follow, plain
I feel shallow, then

III

Them people, they are dull,
abide by their rules
and will to be dull yourself

Otherwise come endeavor
in a not so irksome task
of being worthier,
if you care to share

No, it’s not a poem, it’s just crooked lines. If you will. I’ve always been into terms with my inability to produce proper poetry in English. Such a mechanical language at times.

Then again, lately I’ve dwelt in whether I still have it in me, or am done for.

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mordida December 26th, 2007

Dia 27, depois de deitar, me veio um ritmozinho na cabeça muito irritante, que quase me fez levantar. Eu decidi tentar alguma coisa que fosse fácil de lembrar, para escrever no outro dia (dificilmente lembro do que escrevo depois de alguns minutos, que dirá penso…). Depois de muito tempo sem escrever nada, acho até que não ficou tão besta. Ficou besta, um pouco, mas acho que como música até que não ficaria ruim!
Tudo começou com uma brincadeira de “ó” e “ô”.

Dia 27 (de outubro), depois de deitar, me veio um ritmozinho na cabeça muito irritante, que quase me fez levantar. Eu decidi tentar alguma coisa que fosse fácil de lembrar, para escrever no outro dia (dificilmente lembro do que escrevo depois de alguns minutos, que dirá penso…). Depois de muito tempo sem escrever nada, acho até que não ficou tão besta. Ficou besta, um pouco, mas acho que como música até que não ficaria ruim!

Tudo começou com uma brincadeira de “ó” e “ô”.

27/11/07

seu rosto me olha
e eu não tenho escolha
seu dedo me toca
tocando a minha boca
e eu quero é te morder
pra ter um pedaço seu sempre comigo
nem que seja um pedaço do seu umbigo

seu rosto me olha
e eu não tenho escolha
seu cheiro me toca
tocando a minha boca
e eu quero é te morder
pra ter um pedaço seu sempre comigo
se for do seu pé, mesmo assim eu não ligo

seu rosto me olha
e eu não tenho escolha
seu gosto me toca
tocando a minha boca
e eu quero é te morder
pra ter um pedaço seu, e não ser indefinida
que tal seu coração ser a próxima mordida?

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out of a loom of circumstances December 26th, 2007

07/12/07

out of a loom of circumstances
you made cover
and from your warmness
a bed for me to lay

of all things, it is your holding
i miss the most
it makes my heart break and my body ache
in a rather unpleasant way

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escabiosa da saudade August 13th, 2005

1:40am – 13/agosto/05
escabiosa da saudade

saudade plantada -
escabiosa de lágrimas regada.

dipsacácea melancólica
e composta de suspiros.

fanerogâmica de prazer perpétuo -
vinda do caule de pedúnculo
cortado ao florescer.

somos gineceu e androceu-gineceunástico.
expulso o estame polinizado
e aceito descerrada seu pseudo-filete,
dando-lhe depois rosas multicoloridas
e violetas-tricolor, e alfazemas
frescas como o orvalho.

raízes em você tecidas,
e as folhas sua respiração,
sua flor minha seiva preferida,
fruto qual o amor senão?

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