a galáxia inteira perdeu o sentido. nos.. o quê? dedos? ouvidos? calcanhares? cotovelos?
oficialmente pode não ser mais, mas os pés de plutão continuarão a me chocar pela eternidade. afinal, dona maricélia, isso não é coisa que se diga a crianças de 8 anos de idade assim do oco, do espaço, do buraco negro, ou do nada, até! principalmente para uma criança com imaginação…
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sonhei anteontem que eu ganhava um cavalo amarelo limão. ele era todo educado. se abaixava quando eu ia montar, e oferecia a crina pra eu cavalgar. eu dei uma volta com ele na avenida do aeroporto, em porto seguro. dei uma corrida com ele e quando puxei a crina ele não quis parar, então eu tive que colocar o pé no chão pra freiar. foi aí que eu descobri que ele era pequeno.
uma boa mudança dos sonhos das outras noites. em uma eu sonhei que a cadela betty boopie estava tomando banho na lagoa da conceição e quando foi sair sua barriga abriu deixando cair todos os seus órgãos na água.
na noite seguinte minha mãe era diretora de um presídio feminino e me falava que quando uma das moças tinha que morrer ela podia escolher entre levar um tiro na cabeça ou tomar um remédio que a faria defecar todos os órgãos. eu assisti a uma delas tomar a remédio. e ela saiu do presídio depois disso (???).
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pajubá
December 31st, 2005
pajubá: linguagem usada pelos travestis, baseada nas línguas africanas nagô e iorubá, usada em terreiros de candomblé [pequeno dicionário aqui na página do mixbrasil]
vimos hoje no multishow o clipe do grupo pajubá – aquelas. achamos o máximo! fui procurar e eles têm um site [clica no logotipo acima]
o clipe da música “aquelas” pode ser pego lá.
são músicas dançantes e têm termos do pajubá misturados com inglês e muito humor. eu achei uma idéia ótima. dá vontade de ir pra balada!
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em um túnel indo para gravatá:
carmen: que túnel escuro!
eu: nem é tão escuro..
carmen: claro que é. olha só…
eu: mas tem lâmpada do lado.
carmen (tirando os óculos escuros): ah.
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mizaru
23.08.2003 ★ – 03.10.2005 †
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eu: neve campbell é uma boa atriz. atriz boa.
carmen: eu não acho.
eu: eu acho.
[segundos depois]
carmen: prefiro chá de pêssego.
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dormir…
August 29th, 2005
dormir
dormir…
eu estou com muito sono
meus olhos estão pesados
fechando
dormir
dormir… eu preciso dormir. fechei os olhos, já estou dormindo. e sonhando que estou acordada querendo dormir e sonhando que estou dormindo e sonhando que estou acordada querendo dormir e querendo dormir em todo sonho que estiver acordada e acordada em todo sonho – que estiver dormindo. que estiver. que for.
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1:40am – 13/agosto/05
escabiosa da saudade
saudade plantada -
escabiosa de lágrimas regada.
dipsacácea melancólica
e composta de suspiros.
fanerogâmica de prazer perpétuo -
vinda do caule de pedúnculo
cortado ao florescer.
somos gineceu e androceu-gineceunástico.
expulso o estame polinizado
e aceito descerrada seu pseudo-filete,
dando-lhe depois rosas multicoloridas
e violetas-tricolor, e alfazemas
frescas como o orvalho.
raízes em você tecidas,
e as folhas sua respiração,
sua flor minha seiva preferida,
fruto qual o amor senão?
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a carmen está com alguns problemas. acho mesmo que ela está deprimida. me parece que quando isso acontece com ela a primeira coisa que ela pensa é em fugir. “vou pra são paulo”. ela se fecha, vira uma tartaruga escondida. eu tento falar com ela e ela responde ríspida. suas expressões ficam indefinidas, todas diminuídas a uma única, caracterizada por um protótipo de sorriso com a ponta da boca em um desdém, os olhos fitando o nada, as bochechas imóveis ou levemente trêmulas. a voz muda, também. fica um tom só. eu vou notando uma mudança ou outra, e um dia então ela se quebra. hesita, chora, depois fala tudo de uma só vez e muda seu comportamento drasticamente. tudo em questão de minutos. eu me desmonto, obviamente. só sinto uma sensação gélida subindo pela espinha e pela nuca, até a parte de trás da cabeça. é como se todos os tecidos em volta fossem morrendo, e com eles meu cérebro. minha cabeça fica pesada de repente, e logo em seguida tudo dói, por dentro, como se eu estivesse sendo aberta desde os ossos.
eu queria que ela se abrisse mais comigo. eu sou melhor para resolver os problemas dos outros do que meus próprios. talvez porque quando se está com problemas assim, profundos e devastadores, desses que nos dão a vontade de deixar de existir sumindo numa nuvem de fumaça ou desintegrando sem deixar nem poeira, não conseguimos pensar direito. é difícil fazer com que ela me escute, e a maioria das minhas propostas soam para ela como egoístas e vão contra suas vontades. como se eu quisesse privá-la de fazer suas próprias escolhas. se ela discutisse seus pensamentos e sentimentos comigo seria tão mais fácil. como ela não o faz, eu pedi que ela faça terapia. eu repeti tanto e com tanta convicção os meios e benefícios que ela ouviu alguma coisa e aceitou. agora é ver como vamos progredir.
preenchido com penas de “porquês” intrigantes demais, “porquês” grandes demais e diversos demais, e numerosos demais. análise, preocupação e carinho demasiados. como aqueles colchões ortopédicos, que machucam um pouco se você não tem costume. quem tem confiança em mim deve saber que após o sofrimento do começo, as sessões que se seguem são tão agradáveis e confortantes que dá até para cochilar nesse meu divã.
eu só quero que ela fique feliz sem ter que ir embora, porque ela continuaria triste, e me deixaria muito triste também.
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