8:30am - 16/07/02

pragmática

minha pequena se foi, partiu essa madrugada
subi a escura escadaria correndo, e foi para nada
ela já havia partido, e fiquei esperando que ela voltasse
a chuva havia estiado... sequei meu rosto até que nem um pingo restasse

mas logo senti meus olhos encharcados e descendo pelo rosto
gotículas mais duradouras que chuva, de uma salinidade estranhamente adocicada
chegando aos lábios as suguei, que veneno de tão bom gosto!
me cegava ao que é vil e não à mente entusiasmada

tenho medo de dormir e não sonhar como acordada
de perceber quando acordar que ainda estou apaixonada
de não ver a mocinha voltar e ao sertir-me sozinha
resolver viajar no lombo de uma fraca mulinha

tenho medo de tão cedo não poder revê-la,
não que eu ache por um só instante que vou esquecê-la
mas mesmo em tempos modernos, minha alma tão primitiva
vai padecer com saudades que não alivia a missiva

queria poder dizer - que se dane a pragmática -
mas qndo amo viro donzela... e são tão pequenos os termos mundanos
soam insensíveis as mais simples palavras, e não há didática
que nomeie com devida intensidade, ou que explique aos fulanos

não sei se monto num cavalo e vou às tavernas procurar
um bardo mui talentoso que por alguns dinares ponha-se a cantar
eu mesma cantaria se minha garganta estivesse boa
do jeito que está, mais graciosamente um sapo coaxa, na lagoa

ou se vou até ela e a deito em meu colo
deixo a música de fundo baixinha, num melodioso solo
e lhe faço cafuné até ela, dengosa, adormecer
pois é a melhor maneira para, desse confuso mundo, eu esquecer.

</codeína nikélika>

---

::: voltar :::



all content by me unless otherwise stated.
layout's conception by amzeratul and codnik.